Poucos meses antes de iniciarmos a disputa para as Eleições de 2012, no mês de agosto de 2011 para ser mais exato, fui diagnosticado com a Doença de Parkinson. 

Meu chão sumiu. 

Medo, angústia, preocupação, impotência, vergonha, incertezas me dominaram. 

Não sabia que caminho tomar: continuar ou não disputando uma eleição; tornar público ou não o problema; desistir ou persistir como Despachante; desistir da vida ou lutar por ela. 

Com fé, e contando com o apoio incondicional da minha família, decidi continuar a conquistar meus sonhos. 

Iniciei, assim, o tratamento médico, com o apoio de neurologista, fisioterapeuta e fonoaudiólogo. E, claro, a base de diversos medicamentos. 

Diante deste turbilhão, em outubro de 2012 fui eleito Vereador de Atibaia, pelo Partido Verde, com 719 votos. 

Venci as dificuldades enfrentadas durante a disputa eleitoral. Porém, estas estavam apenas começando. 

Já, em meados de 2013, diante do meu estado emocional e fisicamente abalado em razão de minha doença e, em razão de desavenças e decepções no meio político, entrei em depressão. 

Fui medicado e tratado. Melhorei. Mas, a doença se agravou. 

Passei a evitar locais públicos, a evitar meus pais, irmãs, sobrinhas, amigos; a evitar confrontos e problemas. 

Porém, esta atitude não me trouxe calma, serenidade ou segurança. 

Até este momento, somente minha esposa e meus filhos sabiam de minha situação. 

Em 2014, percebi que me esquivar das pessoas que amo era, acima de tudo, uma forma de não fazê-las sofrer, de protegê-las. E, em paralelo, de me proteger. 

Decidi, então, dividir esta nova etapa de minha vida com algumas poucas pessoas. Esta decisão me acalmou, me ajudou com o tratamento, me libertou. 

Passados mais de dois anos do diagnóstico, hoje administro melhor o medo, angústia, preocupação, impotência, vergonha e incertezas sobre a vida. 

Mas, por outro lado, tenho a absoluta certeza de que a vida vale a pena e que quero vivê-la ao lado das pessoas que amo, da melhor e mais intensa maneira possível. 

Com a intenção de compartilhar minha experiência e somar esforços para a atenção a Doença de Parkinson, decidi tornar pública minha história. 

Quero, a partir deste momento, dividir informações sobre meu tratamento médico, sobre a importância em se manter ativo e sobre a necessidade do Poder Público acolher estes pacientes. 

Como disse, continuo atuando ativamente como Vereador, Despachante, marido, pai, filho, irmão e avô. E devo isto, principalmente, ao tratamento médico que venho me submetendo, que consiste em: 

Neurologista – Dr. Orlando Barsottini, inicialmente uma vez por mês, atualmente de três em três meses. Tratamento em São Paulo; 

Fonoaudiologia – Dra. Alexa Livia Sennyey, inicialmente toda semana, atualmente uma vez por mês; 

Fisioterapia – Dr. Geraldo Gomes Nogueira Filho, duas vezes por semana. Tratamento em Atibaia; 

Tomando os seguintes medicamentos: Prolopa BD, Sifrol ER. 

Esta equipe médica me proporciona uma vida melhor, adiando os sintomas mais fortes da doença. 

Hoje, tenho esta oportunidade em razão de minha condição econômica. Mas, infelizmente, muitas pessoas que sofrem do mesmo problema não tem esta oportunidade. 

Por esta razão, quero me dedicar a permitir que todos possam ter acesso a um tratamento completo, como o meu. 

Lutarei para criar um grupo de ajuda ao parkinsoniano, com a intenção de compartilharmos os tipos de tratamentos, dificuldades, apoio para a família e tudo o mais que possa melhorar nossa vida. 

Paulo Catta Preta.

Familia